quarta-feira, 29 de outubro de 2008

'foi a saudade que me trouxe pelo braço.'

Tô devendo um post sobre os meus dois dias em Recife, mas acho que só eu sei como foi boa a sensação de ver que tá tudo do mesmo jeitinho. Não os assuntos, que parece que amadureceram junto com a gente, mas o carinho ainda era o mesmo. E foi ele que fez com que eu sentisse que eu nunca precisei ir embora de lá e que, passe o tempo que passar, as nossas conversas vão ter sempre o mesmo clima daquelas conversas sem pressa de 4 anos anos atrás, no sofá do P.
Tem gente que diz que o tempo e a distância se encarregam de acabar com os laços e com a saudade - até o Chico diz que a roda viva carrega a saudade pra lá.
Que bom que também tem gente que se engana.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

uns dias desses.

Não sei que nome dão pra isso, mas essa semana li essa espécie de "retrospectiva" em vários blogs e por mais adolescente que seja, eu adorei - copiei! O problema é que enquanto as outras pessoas escrevem, normalmente, umas 5 frases, eu me perco lembrando das coisas e acabam saindo uns 2 metros de texto. E isso é bom, significa que eu tenho do que lembrar. Ok, vamos ao que interessa:

10 anos atrás eu tinha 10 anos. Eu tava na 4° série e me achava o máximo por fazer parte da última série do ginásio e por, no próximo ano, já fazer parte do primário. Adorava ir pro colégio à tarde e encontrar todo mundo nas aulas de preparação pra 1° Eucaristia. Foi lá que escutei pela primeira vez a música da Olaria de Deus(Fulaninho vai ter que entrar na Olaria de Deus...) e já odiava ter que descer como um vaso velho e quebrado e subir como um vaso novo. A professora cismou que minha voz e minha leitura eram ótimas e me colocou pra ler um texto, no dia da 1° Eucaristia. Ela nem desconfiava do meu pânico de público e que a leitura acabaria com uma garotinha estátua, muda, de frente pras pessoas por 5 intermináveis minutos.
Eu sempre dava um jeito de não fazer Educação Física. Entrei no Basquete - meus pais achavam que eu tinha que fazer algum esporte -, e desisti na 5° aula, depois de uma equipe inteira depender de uma única cesta que tinha que ser feita por mim e não foi (o esporte nunca foi a minha praia). Fui eleita a líder da classe sem nem mesmo me candidatar e contra a minha vontade - o que já prova que eu nunca tive vocação pra liderança. Eu mandava bilhetes pra um paquerinha da minha sala que se chamava Diogo e que tinha se mudado de Curitiba pra cá. Ele voltou pra terra natal no final da 4° série e nunca mais tive notícias dele - o orkut ainda não existia. Mal sabia eu que no ano seguinte eu também ia m'embora. Só que pra Brasília.
5 anos atrás eu tinha 15 anos e fui morar em Recife. Dei meu primeiro beijo (foi, demorou assim) num garoto apelidado de Zezo. Não foi muito bom - como a maioria dos primeiros beijos -, mas valeu a experiência. Eu morei no prédio dos meus sonhos: com amigos espalhados em diversos andares, onde a falta do que fazer não existia. Eu estudei à tarde pela primeira vez. Ainda dava um jeito de faltar as aulas de Educação Física. Botei na minha cabeça que ia fazer Direito e me acomodei com a idéia. Tive uma das melhores fases da minha vida.
2 anos atrás eu entrei na faculdade e descobri que eu odiava Direito. Deixei de ser politicamente correta e tomei meu primeiro porre. Com ele vieram, conseqüentemente, as primeiras merdas inconscientes. Eu não tinha turminha da faculdade, mas nunca passava os intervalos sozinha. Eu achei que nunca mais ia ter a mesma relação que eu tinha com as amizades do colégio. Eu me enganei.
Pouco mais de 1 ano atrás eu passei o Ano Novo no Morro Branco e foi um dos melhores da minha vida. Logo depois, passei o carnaval lá também e foi o pior. Descobri o quanto a perda definitiva de uma pessoa pode ser dolorosa. Eu comecei a freqüentar o Novo Caminho e acabei virando tecladista do Ministério de Música, onde eu lembrei do quanto é bom fazer música. Na faculdade, eu me aproximei de um conhecido dos tempos do colégio e que, hoje, é um dos meus melhores amigos. Eu comecei a levar livros que não tinham nada a ver com o meu curso, pra ler durante as aulas. Eu saí do Novo Caminho e do Ministério, quando a parte boa de fazer música passou a ser a parte chata e virou obrigação.
6 meses atrás eu tive uma crise de choro ao começar a ler a Teoria Geral dos Contratos, matéria da chatíssima cadeira de Direito Civil III e botei na minha cabeça que ia desistir do curso. Acabei desistindo foi da idéia de desistir, me conformando em terminar a faculdade e depois fazer o que eu quiser da minha vida. Eu paguei o programa Work and Travel da STB, pra viajar no final do ano. O tempo tava passando rápido e faltava pouquíssimo pra duas das minhas melhores amigas irem fazer intercâmbio. Mal sabia eu que o tempo que ia faltar pra elas voltarem e eu ir também, ia passar tão rápido quanto.
1 mês atrás comecei a me interessar pelo Direito. And guess what? Foi exatamente pelo motivo das minhas lágrimas de antes: o bom e velho Direito Civil que eu jurava de pés juntos que eu nunca ia gostar. Eu me saí bem em praticamente todas as provas e me senti ótima com isso. Mas eu ainda levava os livros que não tinham nada a ver com o curso, pra ler durante as aulas.
Ontem eu acordei com o bronze de um domingo de sol e lembrei que a semana ia ser das boas: um feriado, a chegada de uma amiga querida e uma viagem à praia no final de semana. Fui pra academia e descobri que nas segundas-feiras, mais do que em qualquer outro dia, a preguiça é a minha maior companheira.
Amanhã é feriado e eu vou dormir até tarde. Só isso, por enquanto. Já começa bem.